Produzir energia por fusão nuclear parece, à primeira vista, um problema de física. Afinal, é preciso reproduzir na Terra o processo que alimenta o Sol: unir núcleos atômicos leves e transformar uma pequena parte de sua massa em uma enorme quantidade de energia. Mas, quando saímos da teoria e tentamos construir uma máquina capaz de fazer isso, percebemos que a fusão é também um gigantesco desafio de engenharia.
Em 2025, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) destacou o desenvolvimento dos chamados ímãs supercondutores de alta temperatura (HTS) como uma das principais tendências da pesquisa em fusão. Esses componentes podem ser especialmente importantes para os futuros reatores do tipo tokamak.
O motivo é simples de explicar, mas difícil de executar. Para produzir fusão, o combustível precisa atingir temperaturas de dezenas de milhões de graus Celsius. Nenhum material convencional conseguiria simplesmente tocar esse plasma sem ser destruído. Por isso, nos tokamaks, campos magnéticos extremamente fortes são utilizados para manter o plasma afastado das paredes do reator.
É aqui que entram os supercondutores. Quando adequadamente resfriados, eles podem conduzir enormes correntes elétricas com perdas muito pequenas, permitindo produzir campos magnéticos intensos. Os novos materiais HTS conseguem operar em temperaturas relativamente mais altas que os supercondutores tradicionais, facilitando alguns aspectos do sistema de refrigeração e possibilitando campos magnéticos ainda mais fortes.
Essa diferença pode alterar uma característica fundamental dos reatores: o tamanho. Um campo magnético mais intenso permite confinar o plasma de maneira mais eficiente, abrindo caminho para máquinas potencialmente menores do que projetos tradicionais.
Um exemplo é o SPARC, desenvolvido pela empresa americana Commonwealth Fusion Systems (CFS). O tokamak está sendo construído para demonstrar a possibilidade de produzir mais energia de fusão do que a energia necessária para manter o plasma, utilizando justamente a tecnologia de ímãs HTS. Em 2025, a construção e a montagem de seus componentes já estavam avançando.
Isso não significa que a energia de fusão esteja pronta para chegar às nossas tomadas. Ainda existem enormes desafios envolvendo materiais, controle do plasma, remoção de calor, produção de combustível e operação contínua.
Mesmo assim, os novos ímãs mostram algo fascinante: às vezes, uma das maiores barreiras para construir uma nova fonte de energia não está na reação nuclear em si, mas em conseguir fabricar a máquina capaz de controlá-la.
Para pesquisar mais: a AIEA publicou em 2025 uma análise sobre as principais tendências tecnológicas da fusão, incluindo o desenvolvimento dos supercondutores HTS e sua aplicação em tokamaks, stellarators e outros conceitos de reatores.
Link: https://www.iaea.org/newscenter/news/fusion-energy-in-2025-six-global-trends-to-watch

